Nesta quinta-feira (15), o Salão de Atos do Centro de Educação Profissional São João Calábria (CEPSJC) recebeu mais um encontro formativo da trilha CalabrIA. Durante a manhã, coordenações e referências da Rede Calábria se reuniram para se aprofundar no tema Psicologia dos Grupos – teorias, práticas, equipes e extensão, em uma atividade que contou com a participação de acadêmicos do curso de Psicologia da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). Na ocasião, os estudantes apresentaram estudos de campo desenvolvidos a partir de projetos da instituição, com propostas de intervenção.



Após a acolhida inicial, a Equipe de Formação conduziu o momento de abertura com uma reflexão sobre a espiritualidade calabriana, seguida de uma breve partilha que convidou os participantes a reconhecerem a história de cada um e aquilo que os une em torno de um mesmo propósito.
Dando continuidade ao encontro, o professor Róger Michels adentrou o tema central. A premissa partiu do questionamento: Como a psicologia dos grupos pode contribuir no processo de liderança e desenvolvimento de equipes?
Conceitos relacionados às tarefas e aos objetivos coletivos, aos papéis de liderança, aos vínculos e ao pertencimento, além da comunicação, dos conflitos e das relações de poder, também foram explorados. O conteúdo trouxe como base teórica autores como Kurt Lewin, Wilfred Bion, Pichón-Rivière e Carl Rogers, relacionando suas perspectivas à compreensão das dinâmicas grupais.
Afinal, estar em grupo é também formar sujeitos, construir vínculos, compartilhar responsabilidades e compreender como as relações, as funções e as emoções influenciam a maneira como cada pessoa participa do coletivo.



Ao relacionar a teoria à prática, Michels destacou a observação como base para a análise de comportamentos e das dinâmicas que se estabelecem nos grupos. Também lançou uma provocação sobre a necessidade de uma atuação participativa, que favoreça a troca de conhecimentos entre os estudantes e as equipes dos serviços.
“O que a gente quer é que aconteça também um encontro. Não apenas uma visita, uma tarde de conhecimento sobre o lugar, mas que possa haver um espaço de troca”, complementa Michels.
Essa proposta de aproximação entre o conhecimento acadêmico e a realidade institucional também esteve presente no segundo bloco da formação, dedicado à apresentação de quatro projetos de intervenção realizados pelos alunos da PUCRS, após um período de observação das interações em diferentes serviços da instituição.
Divididos em grupos, os representantes de cada projeto apresentaram seus estudos aos participantes, que circulavam entre as equipes em um sistema de rodízio, conhecendo cada proposta e suas contribuições.

A partir da observação e da pesquisa de campo realizadas com crianças e adolescentes do Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos (SCFV) e do Trabalho Educativo, o projeto “Vozes em Jogo” demonstrou como o brincar, por meio da participação mista, pode contribuir para a promoção da igualdade de gênero e a redução de conflitos. Os resultados indicaram padrões implícitos de convivência nas interações entre meninos e meninas.
Já o “Picote Criativo”, fundamentado na teoria de Carl Rogers, um dos precursores da Psicologia Humanista, destacou a importância de espaços de livre expressão criativa para o desenvolvimento infantil.
Com base em dados e em uma pesquisa de campo realizada nas Casas Lares, os acadêmicos apresentaram a importância de um ambiente facilitador, sustentado por três atitudes fundamentais: empatia, aceitação positiva incondicional e autenticidade.
Em seguida, o projeto “Do cuidado ao pertencimento: a arte como possibilidade de construção de um lugar social” trouxe outra perspectiva a partir de uma intervenção realizada no serviço de Residencial Inclusivo.




Guiada por autores como Pichon-Rivière e Nise da Silveira, a pesquisa mostrou como a produção artística e a escuta qualificada podem ampliar as possibilidades de expressão dos acolhidos. A proposta evidencia o potencial da arte na construção de vínculos, no reconhecimento das identidades individuais e na transformação do espaço em um lugar de pertencimento e expressão.
O último grupo levou a discussão sobre as dinâmicas grupais para o curso de Panificação e Confeitaria. A partir da observação das atividades práticas, os acadêmicos analisaram as dinâmicas de liderança e os papéis assumidos pelos educandos durante as produções, propondo trocas que favoreçam uma experiência mais integrada e colaborativa, valorizando a participação de cada um na construção do coletivo.
Neste décimo encontro formativo, inspirados pela forma única de acolher e promover a vida, a partir dos valores da diversidade, da equidade, do espírito fraterno e da solidariedade, transmitidos por São João Calábria, coordenações e referências viveram uma oportunidade de aproximação com a instituição acadêmica.
A teoria e a prática se encontraram em uma troca impulsionada pelo propósito de estender a mão ao próximo e reconhecer caminhos que contribuam para o desenvolvimento integral das pessoas atendidas pelos serviços socioassistenciais e educativos da Rede Calábria.
Nesse movimento, damos as mãos para aprender, compartilhar experiências e ampliar nosso olhar sobre as relações humanas, renovando o compromisso de acolher cada pessoa em sua singularidade e promover vidas, lado a lado, à luz do carisma calabriano.


