Colaboradores das áreas de apoio seguiram um percurso pelos espaços do CEPSJC com o objetivo de promover o autoconhecimento e um olhar interior
Reunidos no Salão de Atos do Centro de Educação Profissional São João Calábria (CEPSJC), em Porto Alegre (RS), colaboradores da Rede viveram, nas tardes de quarta (22) e quinta-feira (23), um momento formativo diferente. O tema que norteou as reflexões foi a Parábola do Semeador, passagem bíblica aprofundada por uma vivência que convidava todos a percorrer cada trecho da narrativa em espaços cuidadosamente preparados para transmitir e proporcionar uma jornada interior.
No ponto de partida dessa jornada, a Equipe de Formação recepcionou os participantes no Salão de Atos em uma acolhida inicial, apresentando a primeira passagem da parábola de forma encenada. Em duplas, os colaboradores fizeram uma partilha reflexiva sobre as pessoas que semearam sementes importantes no solo de sua vida e que carregam consigo até os dias de hoje, dando início ao percurso ao serem separados em grupos de acordo com a cor do copinho que receberam ao adentrarem o espaço.
O momento inicial também apresentou o significado dessas sementes, trazendo o exemplo de São João Calábria, que, em vida, deparou-se com pessoas e situações, boas e ruins, mas que cumpriram o propósito de torná-lo quem foi. Desde sua mãe, Angela Foschio, que havia semeado sua confiança na Divina Providência, até o dono da loja de antiguidades que o demitiu, dizendo que ele só serviria para ser padre, o que, naturalmente, o reconduziu ao caminho do sacerdócio.
Cada grupo foi direcionado a um espaço diferente, em uma atmosfera preparada com decoração e atividades representativas de cada etapa do caminho por onde o semeador, protagonista da parábola, passava.
Para Ricardo Ferreira, coordenador da Equipe de Formação da Rede Calábria, os encontros formativos significam muito mais do que espaços de capacitação. Representam oportunidades de pausa e respiro em meio às exigências do cotidiano, que facilitam a autorreflexão, fortalecem as relações e renovam o sentido do trabalho desenvolvido por cada colaborador.
“Esses momentos demonstram que investir em tempos de parada, reflexão e renovação não representa uma interrupção das atividades, mas um elemento indispensável para sua continuidade com qualidade e significado. São oportunidades para reavivar o propósito, o comprometimento e renovar a disposição para enfrentar os desafios cotidianos, mantendo viva a identidade e a missão da Rede Calábria”, explica Ricardo.



Segundo ele, esses momentos são fundamentais para promover o bem-estar das equipes, que vivenciam uma rotina marcada por desafios, responsabilidades e constantes demandas, fortalecendo-as para seguir em sua missão e contribuir para que a Divina Providência alcance, por meio de seu trabalho, cada vez mais pessoas em situação de vulnerabilidade.
“Eis que o semeador saiu a semear. E, quando semeava, uma parte da semente caiu junto ao caminho, e vieram as aves e a comeram. Outra parte caiu em pedregais, onde não havia terra bastante; logo nasceu, porque não tinha terra funda. Mas, vindo o sol, queimou-se e secou, porque não tinha raiz. Outra caiu entre espinhos, e os espinhos cresceram e a sufocaram. Outra caiu em boa terra e deu fruto: um a cem, outro a sessenta e outro a trinta. Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.”
Mateus 13:3-9
Encontrada nos Evangelhos de Mateus 13:1-9, Marcos 4:3-9 e Lucas 8:4-8, a história fala de um semeador que lançava sementes por onde caminhava. Em terreno rochoso e cheio de espinhos, tudo se perdia. Apenas ao cair em terra boa pôde crescer e se multiplicar.
Dentro da perspectiva da espiritualidade calabriana, ela nos recorda que somos chamados a ser solo fértil, acolhendo com amor os valores e princípios de São João Calábria que refletem a prática do Evangelho no cotidiano, espalhando gestos de acolhida, fraternidade, serviço e cuidado consigo e com o próximo.
A parábola também traz um ensinamento de esperança, mostrando que o semeador não escolhe os lugares onde lançará a semente. Ele semeia generosamente, confiando que parte dela encontrará terra fértil e gerará frutos, na certeza de que o bem pode florescer quando há abertura, perseverança e fé.
O espaço que representava o primeiro movimento do semeador trouxe uma reflexão sobre a estrada da vida. Os participantes foram recebidos com a canção Tocando em Frente, de Almir Sater, por meio da qual partilharam os versos que mais os tocaram. Em seguida, foram convidados a imaginar, de olhos fechados, a estrada de sua vida, com todas as pessoas que passaram por ela e contribuíram para o seu crescimento.
Com pincéis, canetas hidrocor, giz de cera e lápis, foram pintando o caminho que visualizaram em um quadrado de papelão, revivendo, por meio das cores, suas trajetórias, sonhos e expectativas para o futuro.



A Capela do CEPSJC foi uma das paradas do percurso. Sentados em círculo, os participantes foram convidados a refletir sobre o significado simbólico das pedras. A partilha levou o grupo a reconhecer que elas podem representar tanto desafios quanto potencialidades, identificando-se, assim como as rochas, como seres em constante lapidação e compreendendo que sua utilidade depende da forma como são vistas e de como se escolhe lidar com as pedras encontradas no caminho.
Na sequência, cada participante recebeu três pedras e foi convidado a nomeá-las com virtudes que considera essenciais em sua vida. Em um momento de reflexão, empilharam-nas a partir daquilo que entendem ser a base de sua caminhada, simbolizando os valores que sustentam sua jornada pessoal e profissional.



À frente, uma passagem formada por galhos repletos de espinhos marcou mais uma etapa do percurso. Com cuidado, os participantes precisaram se esgueirar entre os obstáculos para seguir adiante até uma sala que conecta o prédio da Delegação dos Pobres Servos da Divina Providência aos espaços do CEPSJC.
A travessia, por si só, já carregava um profundo significado. Simbolizava os obstáculos encontrados ao longo da caminhada, a perseverança necessária para seguir em frente e a capacidade de adaptação diante das adversidades, encontrando brechas e oportunidades para desabrochar.
No interior da sala, uma roda de conversa foi conduzida tendo, ao centro, vasos com diferentes espécies de cactos. Uns maiores, outros menores; alguns alongados, outros arredondados. Cada planta era um símbolo vivo que expressava a importância da resiliência, da sabedoria de se aproximar do outro com delicadeza, sem ferir, e do respeito aos processos e ao tempo de cada pessoa.
Encerrando a etapa, uma dinâmica colocou em prática os aprendizados vivenciados. Os colaboradores foram desafiados a desenhar em uma folha de papel conduzindo um pincel preso por barbantes, cada um segurando uma das extremidades. Todos puderam compreender o poder da colaboração, da comunicação assertiva e da capacidade de adaptação, que permitem superar desafios e construir resultados coletivamente.



Ao fim do percurso, reunidos novamente no ponto de encontro, todos carregavam consigo os elementos reunidos ao longo desse trajeto interior. O copo, que no início era apenas um recipiente, transformou-se em um símbolo da própria trajetória, reunindo espinhos, pedras e, como base, um mapa de propósito.
Naquele momento, os participantes foram convidados a compreender o sentido da experiência vivida: reconhecer-se como o solo que acolhe as sementes lançadas ao longo da vida. Um terreno que, mesmo atravessando percalços ao longo do processo de lapidação, pode ser cultivado para gerar frutos por meio do cuidado, de cada experiência vivida com presença e da confiança inabalável em Deus.
O ato final selou a formação por meio de um gesto simples, mas poderoso. Ao adicionar terra aos copos e plantar uma pequena semente de girassol, os colaboradores assumiram simbolicamente o compromisso de acolher a própria história, reconhecer os aprendizados do caminho percorrido e cultivar, com esperança, os frutos que ainda estão por florescer.


