Em visita à Rede Calábria, o Superior Geral dos Pobres Servos da Divina Providência, Pe. Massimiliano Parrella, esteve no Centro de Educação Profissional São João Calábria (CEPSJC), onde dirigiu uma mensagem de feliz Ano Novo a todos os colaboradores, irmãos, religiosos e apoiadores, àqueles que, diariamente, se dedicam à missão de acolher e promover vidas. Ao agradecer a calorosa acolhida no Brasil, partilhou sua experiência ao encontrar pessoas que trazem no coração o serviço ao próximo, destacando a paixão pelo fazer e a esperança revelada em tantos rostos e histórias. Reconheceu, ainda, a dedicação, a paciência e o amor expressos em cada gesto, sinais concretos de uma missão vivida com fidelidade e entrega.


Com palavras de sabedoria, ressaltou que a esperança que o mundo precisa é aquela feita de presença, escuta e mãos que trabalham acreditando em dias melhores, independentemente do cansaço ou da ausência de resultados imediatos. Como família que caminha unida pelo mesmo carisma, todos seguimos juntos na construção de um futuro tecido pelas relações e sustentado pela confiança mútua.
Durante entrevista concedida ao setor de Desenvolvimento Institucional, trouxe o tema da mansidão, eixo central de sua carta à Família Calabriana. Intitulada “A Força dos Mansos e o Poder dos Perdedores”, a carta, escrita em 8 de outubro de 2025, em Verona, propõe um convite à reflexão e à abertura de novos caminhos a partir de um estilo de vida que, à luz do Evangelho, assume uma outra compreensão do que verdadeiramente significa força. Ao longo da conversa, ele também aprofundou a vivência concreta da mansidão, os desafios de sua aplicação no cotidiano e os elementos fundamentais que devem orientar o nosso servir.
Pe. Massimiliano esclareceu pontos importantes dessa virtude que não é passiva, apática ou descompromissada. Segundo ele, trata-se de uma força silenciosa que recusa a lógica da hostilidade e da vingança, permitindo que a Divina Providência atue sem resistência. Vivência que também é expressada no cotidiano das relações entre colaboradores e beneficiários. “A mansidão se vive todos os dias, escolhendo relações em defesa e sem agressividade. Nas nossas Casas, significa falar sem ferir, corrigir sem humilhar, decidir sem esmagar”, explica.
No convívio e nas relações interpessoais, devemos estar atentos para que a autoridade não se transforme em poder que domina e desvirtua. Sobre os beneficiários atendidos, ele pontua a necessidade de sempre caminhar junto a eles, jamais acima. É fundamental estar em nível de igualdade. Essa postura traduz com clareza a atitude de São João Calábria no episódio determinante que marca o começo da Obra, intimamente ligado a pedagogia Calabriana nas suas ações concretas: ver, inclinar, sacudir suavemente, reconhecer e acolher. Inclinar-se foi decisivo no momento em que Calábria, após enxergar o ciganinho na soleira da porta, colocou-se junto ao menino. Uma posição de escuta atenta e sensível, de empatia e compaixão.

Como um dos grandes desafios atuais a serem superados para uma vivência plena da espiritualidade da Obra Calabriana, o sacerdote é enfático ao afirmar que o apego e a obsessão por resultados, assim como o medo de perder segurança, prestígio ou controle, precisam ser vencidos. Para isso, ele recomenda: “A força dos mansos cresce com escolhas simples e profundas. Uma oração que nos desarma, uma vida comunitária verdadeira, uma confiança real na Providência, mesmo quando falta segurança humana”. Recorda, ainda, o ensinamento de São João Calábria: Deus age mais quando confiamos mais.
Mas como diferenciar a mansidão espiritual do silêncio e da omissão diante das injustiças? Segundo ele, a mansidão não significa ausência de enfrentamento ou inação. Ela não foge do conflito, mas o enfrenta sem ódio. “Ela não se esconde, ela se expõe com coragem e amor”, esclarece. Cultivar essa virtude é um ato de fé e compaixão, é resistir à dureza do coração, à rotina mecânica e sem alma, à fé sem compromisso e à caridade sem justiça. A mansidão resiste a tudo o que nos afasta dos pobres e vulneráveis e nos convida a nos tornarmos administradores do bem, faróis na noite escura do mundo.