A Rede Calábria deu início à Vakinha “Cuidar é um ato coletivo”, uma iniciativa que convida a sociedade a fortalecer o serviço de acolhimento institucional das Casas Lares. O programa está em funcionamento há mais de dez anos pela Rede e é responsável por acolher crianças e adolescentes que tiveram seus direitos violados e foram afastados do convívio familiar por medida judicial, em decorrência de situações de negligência e outras violações. Muitos desses casos envolvem alto nível de complexidade e exigem acompanhamento contínuo e especializado.
Atualmente, a instituição atende cerca de 160 acolhidos, distribuídos em 18 unidades, chamadas de Casas Lares, sendo 12 em Porto Alegre/RS e 6 em Viamão/RS. Esses espaços cumprem uma função que vai muito além de um simples alojamento. Oferecem proteção, rotina, alimentação adequada, acompanhamento profissional, afeto e a construção de vínculos. Elementos essenciais para a reconstrução de trajetórias e para o seu desenvolvimento integral. São histórias marcadas pela dor, mas também por recomeços, esperança e superação.

As unidades funcionam como uma casa comum, com pais sociais que cuidam e acompanham o dia a dia das crianças, proporcionando um ambiente familiar, seguro e afetivo. Por meio de equipes técnicas qualificadas, há um cuidado permanente com a educação, a saúde e as atividades de ressocialização. De caráter provisório, o acolhimento busca garantir a permanência deles nas Casas Lares até que seja possível o retorno à família de origem ou até serem encaminhados para adoção. Nessa perspectiva, o trabalho desenvolvido prioriza o resgate da autoestima e a criação das condições necessárias para que cada criança e jovem possa reescrever a própria história, tornando-se protagonista dessa mudança.
É uma construção diária, uma retomada gradual até a reinserção do acolhido à vida familiar. Por isso, o serviço busca reestruturar todo o contexto no qual a criança está inserida. Há um acompanhamento junto aos pais para que as condições primordiais para o retorno sejam restabelecidas e preservadas, evitando que seja necessário um novo acolhimento institucional. Trata-se de um processo de mudança que envolve comportamento e reeducação de ambos os lados, sempre em direção ao objetivo principal, a reintegração familiar.



Após determinado período, é realizada a experiência familiar. Inicialmente, ocorrem visitas dos pais à Casa Lar e, em seguida, é autorizada a visita estendida. Nesse momento, a criança passa o final de semana em seu lar de origem. Antes e durante esse processo, são realizadas visitas técnicas e avaliações para verificar se, de fato, houve mudanças na dinâmica familiar e na forma de cuidado e tratamento da criança.
Dentro do processo, a coordenadora do programa, Daniela Teske, explica que o atendimento envolve diversas questões interligadas. As crianças e adolescentes são inseridos em diferentes espaços, como o Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculo, a escola, o Trabalho Educativo, o Projovem e o programa Jovem Aprendiz, entre outros. A saúde física e mental também recebe atenção especial, com a realização de baterias de exames, vacinação e avaliações médicas. Atualmente, há três clínicas conveniadas ao Ministério Público, que oferecem diferentes modalidades de atendimento, como bioterapia e psiquiatria.
“A maioria das nossas crianças têm questões de saúde mental. Têm depressão e agitação devido ao abandono, e precisam do uso de medicação”, conta ela.
No ambiente da Casa Lar, toda a organização é pensada para favorecer a criação de hábitos saudáveis do cotidiano, sempre com acompanhamento e muito zelo. Para isso, o papel dos pais sociais é fundamental. Eles permanecem 24 horas por dia com os acolhidos e contam com uma folga semanal, período em que são substituídos por um responsável substituto.
“É uma casa normal, onde eles assistem televisão, jogam videogame. Há horário para o banho, para a janta, para sair e para fazer o tema de casa”, explica Daniela.


Ao ingressarem, essas crianças e adolescentes geralmente chegam mais fechados, com barreiras emocionais que, aos poucos, vão sendo trabalhadas e superadas por meio do convívio e do fortalecimento de vínculos.
“Com o tempo, acontece uma transformação, ainda que pequena no início. Primeiro surge um sorriso, depois a conversa flui mais. Mas acredito que a maior mudança ocorre quando ele se abre para o lugar, é adotado e a vida floresce, saindo daquela posição inicial”, conclui.
A Vakinha tem como meta arrecadar R$ 200 mil, valor que será destinado à qualificação e ao fortalecimento do serviço já existente de acolhimento institucional, além de impulsionar a causa e assegurar a sustentabilidade do programa. Assim, a Rede Calábria poderá seguir atendendo com ainda mais qualidade, sempre pautada pela dignidade, responsabilidade, amor e cuidado permanente. Cada contribuição representa um gesto concreto de proteção e esperança. É a soma de pequenos gestos que permite à Rede Calábria chegar onde, muitas vezes, ninguém mais consegue, oferecendo presença, escuta e oportunidades reais de futuro.
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