A equipe de educadores e coordenadores do Centro de Promoção da Infância e da Juventude (CPIJ) participou, na manhã do último sábado (21), da formação Letramento Racial na Educação Social. A iniciativa integra a proposta da Educação para as Relações Étnico-Raciais (ERER) e reforça o compromisso da Rede Calábria com a equidade, a pluralidade e o enfrentamento ao racismo no território.
Conduzida pelas educadoras Suélen Rochelle e Kelly Jesuíno, a formação contou com o engajamento de todos os participantes e foi organizada em três momentos distintos: uma acolhida inicial, acompanhada de reflexão coletiva; uma prática artística; e, por fim, o encerramento com partilhas e reflexões finais sobre o processo.
Após a abertura, na qual os colaboradores partilharam seus conhecimentos prévios, foi realizada uma atividade coletiva de produção de gravuras em acetato, baseada na escolha de palavras e imagens. A prática possibilitou reflexões individuais e o compartilhamento de percepções entre os participantes.
O combate ao racismo se faz cada vez mais urgente e precisa ser enfrentado em todos os níveis. A educação, como uma ferramenta essencial nesse caminho, permite desconstruir preconceitos historicamente enraizados e frequentemente reproduzidos, muitas vezes de forma sutil e quase imperceptível.



“Percebi que o letramento racial não se limita ao combate do racismo explícito, mas envolve o desenvolvimento da capacidade de reconhecer desigualdades, valorizar identidades e promover o respeito às diferenças desde a infância”, afirma Katiane, educadora referência da turma Fraternidade (SCFV).
Segundo Katiane, trata-se de um processo contínuo de estudo voltado à construção de uma educação pautada na escuta sensível e em uma prática pedagógica consciente, capaz de formar cidadãos mais empáticos e comprometidos com a responsabilidade social.

Durante o encontro, também foram levantados questionamentos e compartilhados exemplos inspiradores, possibilitando o aprofundamento do tema e a reflexão sobre como abordá-lo na realidade da região.
“Participamos de estudos e práticas voltadas a identificar, combater e superar o racismo estrutural, institucional e interpessoal, além de promover a desconstrução de preconceitos e a valorização da diversidade cultural e histórica de populações negras, especialmente na Restinga, em Porto Alegre”, relatou.
Para a educadora e facilitadora do encontro formativo, Suélen Rochelle, que também é coordenadora técnica das escolas de educação infantil da Rede Calábria, foi uma experiência profundamente significativa. Algo que se refletiu no entusiasmo e no engajamento participativo que estimulava o diálogo diante de uma temática que deve ser trabalhada cotidianamente nas salas de aula.
“Pude perceber o interesse genuíno nas reflexões, nas trocas e, principalmente, na disposição de rever práticas e ampliar olhares. Falamos sobre a importância de reconhecer o racismo estrutural, de compreender a racialidade para além da mestiçagem romantizada e de assumir, enquanto educadores, o compromisso com uma educação antirracista cotidiana”, conta ela.
A formação em Letramento Racial dialoga diretamente com um dos valores institucionais da Rede Calábria, a DEI – Diversidade, Equidade e Inclusão. Para nós, esse princípio não se limita a uma diretriz conceitual, mas orienta práticas concretas no cotidiano dos serviços, fortalecendo uma cultura organizacional que reconhece as diferenças e combate desigualdades históricas.
Assim como reforçado no Dia da Consciência Negra, nosso compromisso com a equidade racial é contínuo e se traduz em ações formativas, revisão de práticas pedagógicas e posicionamento institucional claro diante do racismo estrutural. Trabalhar a Educação para as Relações Étnico-Raciais (ERER) é, portanto, reafirmar que a diversidade é riqueza, a equidade é responsabilidade e a inclusão é caminho indispensável para a construção de uma sociedade mais justa e fraterna.