Iniciativa reforça a importância do acolhimento familiar e amplia a mobilização por novas famílias acolhedoras
Em uma cerimônia realizada na sede do Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), na terça-feira (14), a Prefeitura de Porto Alegre lançou a campanha de divulgação do programa Família Acolhedora 2026, com a participação do prefeito Sebastião Melo, do procurador-geral de Justiça, Alexandre Saltz, e de representantes do poder público e do sistema de Justiça. Desde 2019, a iniciativa é executada pela Rede Calábria, em parceria com a Secretaria Municipal de Assistência Social (SMAS).
O serviço conta com uma equipe de psicólogos e assistentes sociais que acompanha e oferece suporte às famílias acolhedoras durante todo o processo, garantindo o cuidado necessário às crianças, aos adolescentes e às famílias.


Além da campanha, que busca incentivar a inscrição de mais pessoas dispostas a acolher temporariamente, também foi anunciado o novo edital, que ampliará de 20 para 40 o número de vagas do programa.
Ao abrirem as portas de seus lares, essas famílias oferecem cuidado, afeto e proteção para quem teve seus direitos violados e precisou ser afastado do convívio familiar.
Entre os participantes da solenidade, o promotor de Justiça Dr. Fábio Vieira Heert destacou a importância da mobilização em torno do programa.
“É muito importante o que aconteceu aqui hoje, porque representa o envolvimento do município e da sociedade civil em aumentar o número de famílias acolhedoras, estimular o programa e divulgá-lo, de forma que as pessoas entendam a diferença entre o acolhimento institucional, o acolhimento familiar e os padrinhos afetivos”, esclareceu.
Na ocasião, o secretário municipal de Assistência Social, Matheus Xavier, reforçou a necessidade do serviço, que proporciona uma forma de acolhimento mais humanizada, permitindo que crianças e adolescentes vivam em um ambiente familiar enquanto aguardam a definição de sua situação judicial.
Também estiveram presentes na solenidade a promotora de Justiça Dra. Carla Souto; a promotora de Justiça da Infância e Juventude, Dra. Cinara Vianna Dutra Braga; o presidente da Comissão da Criança e do Adolescente (CCA) da OAB-RS, Dr. Carlos Kraemer; o diretor-geral da Rede Calábria, Pe. Gustavo Bonassi; a coordenadora do Família Acolhedora pela instituição, Solange Paim; a equipe técnica do programa e demais representantes da Rede Calábria.

“Nós estamos trazendo um marco para a infância de Porto Alegre, uma grande coalizão, no sentido de divulgar e transformar a cultura do acolhimento, para realmente fazer a diferença na vida dessas crianças”, afirmou Dra. Carla Souto.
Um dos momentos mais marcantes foi o relato de Sheila Rieffel, família acolhedora que está em seu sexto acolhimento. Ela compartilhou como pequenos gestos de cuidado e afeto podem devolver segurança e esperança às crianças. Para Sheila, a experiência transforma tanto quem acolhe quanto quem é acolhido.
“Eu dou muito amor para essas crianças, mas eu também recebo muito amor delas”, contou Sheila ao compartilhar sua vivência. Para ela, a experiência de acolher, dedicar carinho e tempo é uma experiência muito gratificante e especial.



O procurador-geral de Justiça, Alexandre Saltz, também ressaltou o potencial do serviço, capaz de mudar o destino de quem vivenciou rupturas profundas que deixam marcas na infância.
“Estamos dando visibilidade a uma iniciativa ainda pouco conhecida pela sociedade, mas com enorme potencial transformador. O acolhimento familiar permite que crianças e adolescentes que estão em abrigos possam vivenciar o afeto, o cuidado e a convivência familiar, elementos fundamentais para o seu desenvolvimento”, afirmou.
A campanha é um convite para que toda a sociedade olhe com mais sensibilidade e atenção para crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade, reconhecendo que cada gesto de acolhida pode transformar histórias e oferecer novas possibilidades para quem teve seus direitos violados.


À luz do Evangelho e guiados pelos ensinamentos de São João Calábria, seguimos comprometidos com a missão de promover o cuidado, construindo pontes para que cada vez mais crianças possam encontrar proteção, afeto e um ambiente familiar onde possam crescer cercadas de esperança e pertencimento.
“Como lhes disse outras vezes, crianças abandonadas, velhos, pobres, enfermos, são as nossas riquezas, as pérolas da Obra. Esse, meus queridos irmãos, é o espírito puro e genuíno que Jesus colocou desde o começo, já consagrado pelas nossas santas Constituições, que in visceribus lhes recomendo ler seguidamente e meditar, a fim de observar inclusive as mais pequenas disposições, pois não se esqueçam que as grandes coisas são feitas de muitas pequenas coisas, da mesma forma que a vastidão do oceano é o resultado de infinitas pequenas gotas de água. De resto, a grandeza das ações depende unicamente da medida do amor com o qual são feitas.”
— São João Calábria